segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Feitiços do tempo

Hoje pela manhã, decidi revirá o baú do meu passado e relembrar de algumas coisas das quais eu curtia nos anos 90. Caramba, como a gente muda! Mas o que fomos, nunca vai mudar, vai ficar pra sempre num cantinho dentro da gente.
Ouvi músicas, cantei, vi fotos, me lembrei de fatos, e o  curioso é que coisas das quais eu amava, e hoje talvez eu tenha horrores, ainda me fazem chorar por lembrar de uma época inalcansável, de quando eu era uma garotinha sonhadora, e sonhava com a vida de hoje, com as realizações, com tudo que eu poderia ser e realizar, e minha única preocupação era viver.
Mesmo renegando algumas coisas do passado, como gosto musical, paixões "infantis" como Sandy e Júnior, ou até mesmo comportamento adolescente, talvez sonhos, roupas, modo de pensar, ainda sim, acho que prefiro o jeito como eu era antes.
Eu amadureci, cresci, realizei tantas coisas, estou onde deveria estar quando imaginava o futuro, talvez não tão exatamente como planejei, mas segui o roteiro como pude. Talvez a razão desta nostalgia, seja porque a vida era tão mais leve e descomprometida, os problemas que eu tinha não eram meus, porque papai resolvia tudo por mim. mamãe estava sempre por perto, acordava todas as manhãs com o cheirinho de café e minha tarefa diária era sonhar...
Estranho: eu era conhecida como a garota meiga, a amiga pra todas as horas, hoje sou apontada como a moça brava, gêniosa, como sempre fui, talvez fosse meu jeito Sandy de ser, que me tornava meiga, ainda tenho uma certa doçura, mas mudei minhas preferêcias, ainda sou a amiga pra todas as horas, mas meus amigos estão centenas de quilometros longe de mim, todos os amigos que conquistei ao longo dos meus vinte e tantos anos.
Parei de tomar café com chocolate, me desfiz de todos meus vestidos vermelhos, minhas lindas sandálias de salto viraram recordações dentro do armário, talvez tenha desaprendido a usá las, a maquiagem passou a ser discreta, até meus longos cabelos cacheados deram lugar a uma nova mulher, papéis de carta, e poster não fazem parte da minha lista de coleções, adquiri fobia de telefone, não compro mais cds semanalmente, não ouço Laura Pausini, Sandy e Jr, e nem sei como pude gostar de Henrique Iglesias, Bon jovi, Madona; dessa época só ficou Kid abelha, Alanis, algumas músicas da Shakira, Djavan, Legião Urbana, e meu horror por bandas de rock pesado e meu amor por MPB, que aliás cresceu bastante.
E como o origial não se desoriginaliza, ainda amo unhas vermelhas, ainda choro quando assisto "meu primeiro amor", ainda sou fã apaixonada de Karol Wojtyla, e ainda quero ser juíza.
Com certeza eu perdi muitas coisas ao longo do caminho, que deram lugar ao hoje, e de todas as coisas que perdi, o medo é a que celebro.

2 comentários:

André Góes disse...

... adorei seu blog, já está na lista d'O Proscênio. Pode "importar" o que precisar para ele!

Este post em particular me diz muito. acabei de completar 30 anos, muito mudou, tenho uma família, houve vitórias e fracassos... e muito ainda é planejado!

Saudações!

Hellen Dayane disse...

Obrigada André, ainda estou começando, e nem preciso dizer que também amei seu blog.
Abraços!
;D